Aqueles que fazem de sua orientação sexual e identidade de gênero também uma opção política tem a minha admiração eterna. E uma pessoa que eu adoro e admiro muito é a Maitê Schneider. A linda da Maitê é uma mulher, mas a norma gosta de chamá-la de mulher transexual, e colocá-la na caixinha das anormalidades. Assim como nós os outros LGBT. As falas da Maitê são sempre inquietantes, ela nos traz um olhar que só ela enquanto mulher transexual numa sociedade extremamente heternormativa pode nos fazer vislumbrar. Como já dito aqui, pra elas mais que pra nós, até o simples gesto de ir a padaria é um ato político, e que pode ser bem doloroso. Pois carregam no corpo aquilo que mais incomoda nossa sociedade, a vontade de transgredir aquilo que é dito como normal, natural. A vontade de ser aquilo que se é, para assim tentar de algum modo buscar a felicidade. Felicidade essa que é negada a alguns setores em função do pertencimento a determinada raça, gênero, orientação sexual e identidade de gênero.
Fica aqui um trecho do debate Projeto Expressões de gênero que muito me inquietou e emocionou:
Maitê:
- E se vocês quiserem que eu cale a boca, e acho que é isso que mais incomoda na nossa militância. É a possibilidade. Porque eles olham pra gente e falam assim: “Puta que o pariu, a gente falou que elas não podiam ser, que elas não podiam mudar o corpo, elas foram lá e mudaram. A gente falou que elas não podiam mudar o nome, elas foram lá e mudaram. A gente falou que elas não podiam mudar os documentos, elas mudaram. Que elas não podiam mudar o sexo que elas nasceram, elas mudaram. A gente falou que elas não podiam ser felizes, elas foram. Que elas não podiam remar contra a maré e elas remaram. Essas porras podem fazer o que quiserem na vida!”
Maitê: É isso que assusta eles, é isso que assusta essa sociedade. E é pra essa sociedade que a gente tem que continuar respirando. É pra essa sociedade que a gente tem que continuar sendo forte e dizer “eu vou continuar existindo!”
E como diria a nossa querida Simone de Beauvoir: ”Que nada nos limite. Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância.”

Essa Maitê é só orgulho mesmo.
Adorei…
Esse é um dos motivos que eu estou na psicologia, vazer visíveis as chagas da sociedade e contribuir para a cura.